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Realidade das travestis e mulheres trans capixabas é tema de pesquisa

Rede Diario Es por Rede Diario Es
15 de outubro de 2018
em Acontecendo
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Realidade das travestis e mulheres trans capixabas é tema de pesquisa
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trans redediario esExcluídas do mercado de trabalho formal, muitas acabam buscando a sobrevivência na prostituição

Estado – A prostituição de travestis e mulheres trans também é resultado da transfobia, o preconceito contra essa parcela da sociedade. Segundo dados da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), 90% dessas mulheres sobrevivem da prostituição no Brasil – país que mais mata travestis – pois simplesmente não conseguem acessar o mercado de trabalho formal. No Espírito Santo, a pesquisa Trans Em Ação, da Associação Grupo Orgulho Liberdade e Dignidade (Gold), atuou com as travestis e transexuais capixabas em situação de vulnerabilidade em seis municípios, para levantar esses e outros aspectos importantes da saúde, educação e direitos humanos desse segmento da população.

Os primeiros dados, coletados em São Mateus, serão apresentados nesta quarta-feira (17), na Secretaria Municipal de Cultura, no Sítio Histórico da cidade, como parte da programação da exposição Projetando Identidades. Tendo como público-alvo as mulheres trans que sobrevivem da prostituição no trecho da BR-101 que corta o município, a pesquisa revela que 60% dessas pessoas se sentem excluídas do mercado de trabalho formal.

Chamou atenção ainda a idade dessas profissionais do sexo: a faixa etária dos 30 a 35 anos é a menor de todas, correspondendo a apenas 4% do total, o que reflete localmente a estimativa de vida em nível nacional calculada pela Antra para as travestis e trans, que é de apenas 35 anos. “Foi assustador. Já sabia dessa estimativa de vida, mas quando vê perto da gente, assusta”, afirma a pedagoga Flavia Ravache, educadora social responsável pelo projeto em São Mateus, juntamente com a assistente social Nina Flavia Leal.

“Como eu vou negociar o uso do preservativo com o cliente, se ele se negar?” À pergunta, feita repetidamente às educadoras sociais, seguiu-se um diálogo franco e elucidador, feito entre iguais. As duas educadoras são mulheres trans, característica considerada essencial para o sucesso da abordagem. “Há mais empatia, o que faz com que elas se sintam mais seguras para a aproximação e consigam se expressar melhor durante as entrevistas”, ressalta Flavia.

A pedagoga observa que as mulheres abordadas passaram a procurar a realização de exames de IST/AIDS, a solicitação do seu cartão do Sistema Único de Saúde (SUS), a se registrarem no Cadastro Único de Assistência Social, a retificarem seu registro civil, entre outros autocuidados essenciais. Outra busca empreendida pelo projeto foi aproximar o serviço público das mulheres travestis e transexuais, para que políticas públicas sejam disponibilizadas, seja em educação, saúde, segurança, assistência social e defensoria pública.

O projeto foi desenvolvido durante o ano de 2016 também em Colatina, Linhares, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica e Vitória, “com apoio de técnicos municipais da assistência social, direitos humanos, educação, saúde, segurança púbica, Ministério Público e a sociedade em geral”, elenca Flavia. Apenas metade das mulheres entrevistadas possui o cartão do SUS e 60% delas fazem uso do silicone industrial, que apresenta elevadíssimo risco para a saúde. A autodeclaração de raça e cor revelou que 60% se consideram parda, 32% negra, 4% branca e 4% indígena.

A pesquisa revelou ainda que 73% se identificam como travestis (não desejam fazer a cirurgia de redesignação sexual) e apenas 27% se identificam como mulheres trans (desejam ou já realizam o procedimento). A orientação sexual de 88% é hétero, enquanto 8% se autoafirmaram bissexuais e 4% homossexuais. Em novembro, a exposição Projetando Identidades segue para Colatina, onde também ficará por um mês.

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