José Vicente Mendes
Estrela do MDB desde quando se filiou e disputou com vitória a prefeitura de Linhares, derrotando na época por pequena margem de votos, o favorito Nozinho Correa, Guerino Zanon sempre foi marcado pelas acusações articuladas por seus inimigos.
Todo ano em que se realiza eleições e Zanon disputa cargo eletivo, surge questionamentos: está inelegível, TSE veta candidatura, MP denuncia, entre outras manchetes corriqueiras do período eleitoral. E Zanon segue em frente vencendo os adversários no tapetão e nas urnas.
Se existe alguma coisa que impeça sua candidatura, isto só aparece em período eleitoral. É um disse-me-disse que realmente só tem uma finalidade: desestabilizar a candidatura ao governo do Estado de Guerino Zanon.
Problema mesmo que ele tem é partidário. O MDB está nas mãos da senadora Rose de Freitas, que não morre de amores pelo prefeito de Linhares, e já anunciou que fará de tudo para que o partido não tenha candidatura própria ao governo e que apoie a reeleição de Renato Casagrande. Até então um direito dela defender este ponto de vista, na esperança de que sua candidatura ao senado se torne viável.
Guerino não quer esperar a convenção do MDB que decidirá a questão. Teme perder a indicação, já que os convencionais estarão sob as ordens de Rose. Por isso vem mantendo contatos com outros partidos, na esperança que seja acolhido e possa ser candidato. Mas aí esbarra também na questão de que precisa de uma coligação forte com outras agremiações.
Não se sabe ao certo até que ponto Zanon tem o apoio do ex-governador Paulo Hartung, ainda uma grande liderança no Estado, que ninguém sabe que rumo seguirá. PH sempre toma as decisões nos últimos minutos da prorrogação do segundo tempo, se fossemos comparar a uma partida de futebol. É uma incógnita.
Nas últimas eleições, depois de consultar uma pesquisa de opinião pública em que colocava seu nome apenas 3% de vantagem sobre seu adversário Renato Casagrande, PH deixou o comando do barco que carregava seus correligionários e companheiros a deriva em alto mar. E foi um salve quem puder. Ninguém do grupo de PH conseguiu a eleição, ficaram mais perdidos do que um cego no meio do tiroteio. Nomes de primeira grandeza do partido, se viram abandonados pelo chefe, como Lelo Coimbra e César Colnago, entre outros. Na capital muitos afirmam que Hartung poderá vir ao senado ou ao governo do Estado. Ou a cargo nenhum, dizem.
O certo é que Renato Casagrande é a bola da vez novamente. Tem tudo para ser reeleito, e pode liquidar a fatura no primeiro tempo. Ele sabe que se houver segundo turno, as coisas complicam e pode amargar uma derrota. Ele já foi protagonista de um filme com esse mesmo enredo. Até os coadjuvantes são os mesmos. Eta assessoria ruim. Ele governa bem, mas seu secretariado deixa a desejar. Sua secretária de Comunicação, jornalista Flávia Mignone, é uma das piores da história da comunicação oficial do Estado.
Mas voltando ao caso Guerino Zanon, a oposição tem outros nomes como Audifax Barcelos, César Colnago, Carlos Manato, entre outros. Todos bem trabalhados, podem surpreender. E se houver segundo turno e um pacto entre todos, Casagrande estará em maus lençóis.
Todos tem seu ninho próprio e apoio. Mas Guerino numa situação inusitada está desamparado. Corre o risco de não ter legenda para sua candidatura. Se formos voltar lá atrás, PH tem um pouco de culpa desta situação. Todos foram fiéis a ele, mas a recíproca não foi verdadeira. Além do mais algumas lideranças na capital, em conversa sigilosa, reclamam que Guerino não cumpre acordos políticos. Ou seja promete tudo, mas após a vitória, nega também tudo. Meio estilo Leonal Brizola, que dizia que para ganhar uma eleição, pisava até no pescoço da própria mãe. Depois conversa, tudo se ajeita e as coisas acalmam.
Tancredo Neves cumpria acordos, mas também era mestre de se fazer o contrário. Consta que certa vez, angustiado por não ter seu nome anunciado como integrante do secretariado de Tancredo, então governador de Minas, um aliado, que tinha seu nome como provável secretário, mas que o governador ainda não tinha anunciado, embora estivesse sendo divulgado pela imprensa, procurou Tancredo. E teve com ele o seguinte diálogo: – Governador, toda a imprensa está divulgando que serei o secretário de Finanças. O que digo para os repórteres já que falta a confirmação. Tancredo, velha raposa política, respondeu: – Meu amigo, diga que você foi convidado, mas não aceitou”. E assim se livrou do “pepino”.
Mas e aí? Guerino está ou não inelegível? Todos contra Casagrande, ou todos contra Zanon, que tem uma capacidade incrível de vencer batalhas políticas? Quem tem medo dele?


