Afirmação é do presidente da Colônia de Pescadores de Linhares; uma reunião foi realizada nesta terça-feira, mas nenhum representante da Samarco ou Fundação Renova compareceu
Linhares – Pescadores que foram prejudicados pela lama de rejeitos de minério da Samarco após a tragédia ambiental ocorrida em 2015 estiveram reunidos na manhã desta terça-feira (10) para conversarem sobre o impasse no acordo com a mineradora e com a Fundação Renova, instituição responsável para reparar os danos causados pela tragédia. Nenhum representante da Samarco ou da Renova compareceu ao encontro.
Pelo menos 300 pescadores estiveram presentes no encontro, que foi realizado no Centro de Referência de Assistência Social (Cras) do bairro Interlagos. São pessoas que dependem da pesca para viver e têm a atividade como única renda, mas, com o Rio Doce poluído, não têm mais condições de trabalhar e perderam sua fonte de sustento.
Segundo o presidente da Colônia de Pescadores de Linhares, Milton Jorge, o objetivo da reunião foi unir os pescadores e conversar sobre os processos de indenização. “Até agora, 250 pescadores ainda não receberam nada. Nenhum representante da Samarco ou da Fundação Renova quis vir aqui hoje para discutir com a gente”, alegou.
Já durante discurso na reunião, Milton disse que eles precisam “fazer um grupo forte” de pescadores para lutar contra a mineradora na Justiça. “Nossa luta não pode acabar. Não podemos aceitar acordos com valores baixos. Tem pescadores fechando acordo sozinhos para receber R$ 2 mil, R$ 5 mil, mas não podemos aceitar tão pouco. Precisamos fazer o acordo com a presença dos advogados que nos representam”, falou à plateia presente.
Outro Lado
Fundação Renova enviou nota sobre o assunto. Veja na íntegra:
A Fundação Renova, entidade autônoma e independente que está à frente das ações de reparação, realiza desde outubro de 2016 o cadastro integrado das pessoas impactadas pelo rompimento da barragem, com informações sociais e econômicas detalhadas. A partir dessas informações, estão sendo definidas as ações de reparação, entre elas, as indenizações. Especificamente para os pescadores, a Renova elaborou por meio de construção coletiva uma proposta de indenização, que teve como base estudos que indicaram a renda média para cada categoria de pescador, considerando renda, danos materiais e morais.
A construção foi realizada em conjunto com representantes das comunidades pesqueiras e participação de entidades do poder público, como ICMBio, Superintendência da Pesca, Incaper, Ministério Público e Defensoria Pública. Os pagamentos estão em andamento e a previsão é de que sejam finalizados até o primeiro semestre do ano que vem, conforme indicação do Comitê Interfederativo (CIF). É importante ressaltar que, até o momento, cerca de R$ 500 milhões já foram pagos em indenização em Minas Gerais e no Espírito Santo.
No Espírito Santo, atualmente são cerca de 3,7 mil cartões auxílios, que atendem 8,4 mil pessoas, entre titulares e dependentes. Com informações do GazetaOnLine/foto Lorena Fagionato.

