Sem realizar o serviço, ele tomava posse dos produtos que podiam ser carros, apartamentos, lotes, ou até um hotel, como aconteceu em Colatina
Vila Velha – Um estelionatário preso nesta quinta- feira (19) trocava serviços de pavimentação asfáltica em bens das vítimas. Porém, sem nem mesmo começar os serviços, ele vendia os carros, casas apartamentos e até hotéis para terceiros, e nunca concluía os mesmos. A prisão de Geraldo Ribeiro de Souza aconteceu às 6h, em um apartamento na Praia da Costa, em Vila Velha, que era de uma vítima. O homem de 48 anos ostentava carros e móveis que nunca foram seus. Através disso, conseguia enganar as vítimas.
O suspeito possui uma empresa do ramo da construção civil no município de Rio Novo do Sul, na qual oferecia os serviços de pavimentação asfáltica para outros empresários do ramo. Para facilitar o negócio, ele costumava oferecer a troca de algum bem ao invés do pagamento, visto que os serviços tinham um alto valor. Após a aceitação do cliente, Geraldo Ribeiro de Souza fazia um contrato, dizendo que a partir da finalização do serviço, o bem acordado passaria a lhe pertencer. Porém, mesmo sem realizar o serviço, ele tomava posse dos produtos que podiam ser carros, apartamentos, lotes, ou até um hotel, como aconteceu em Colatina.
Depois de tomar posse dos patrimônios das vítimas, o suspeito anunciava e revendia os mesmos para terceiros, e também não finalizava os serviços oferecidos pela sua empresa. Até o momento, essas pessoas não o denunciaram. Segundo a polícia civil, ele enganava os clientes dizendo que estava esperando materiais, liberações de documentos, e outras coisas que impedissem a continuação dos serviços. Além da prisão preventiva foi cumprido também um mandado de busca e apreensão na empresa de Geraldo Ribeiro de Souza, em Rio Novo do Sul.
As vítimas
Segundo o advogado de algumas vítimas, estima-se um prejuízo de R$ 27 milhões, causado pelas fraudes de Geraldo Ribeiro de Souza. Seis vítimas já confirmaram que o denunciaram. A primeira delas disse que começou a ter contato com ele em Janeiro de 2016, sendo lesada em aproximadamente R$ 1 milhão. Outras duas são funcionários da empresa do suspeito, sendo um Engenheiro, que teve a assinatura falsificada por Geraldo, para ser utilizada em sua defesa num processo judicial.
A outra funcionária da empresa disse que o suspeito usou o nome dela para fazer várias dívidas. Segundo a polícia, ele teria pego alguns cheques em branco da mulher, trocou com agiotas e depois entrou na justiça contra ela, exigindo o pagamento da dívida. A delegada Rhayanna Bremenkamp, titular da Delegacia Especializada em Defraudações e Falsificações (Defa), acredita que após a prisão, novas vítimas devem aparecer para denuncia-lo.
O acusado
Geraldo Ribeiro de Souza – DEFA (5)Geraldo Ribeiro se Souza respondia em liberdade por um crime de homicídio qualificado em Rio Vermelho, no Estado de Minas Gerais, que aconteceu em 2014. Por esse motivo, algumas vítimas também não denunciaram visto que ele as ameaçava, a ponto de uma delas chegar a processa-lo.
Segundo a delegada Rhayanna Bremenkamp, as atitudes do suspeito são típicas de um estelionatário. “A maioria dos estelionatários que a gente investiga aqui nega todos os fatos e se faz de vítima ainda por cima. Ele fala que essas vítimas estão o perseguindo, em decorrência de um desacordo comercial, que isso deve ser apurado na justiça cível e que já existem processos desse tipo, portanto ele não deve ser preso”, relata a delegada.
Geraldo Ribeiro de Souza, que segundo a delegada pretendia fugir para a Itália, está preso preventivamente e será indiciado por Estelionato e Falsificação. EsHoje.

