Líder de partido lamentou agressão, mas relacionou caso a ‘Escola Sem Partido’
Um deputado federal considerou que a professora agredida em Indaial, Santa Catarina, “despertou a revolta” de estudante por impor sua visão política. O líder do PSD João Rodrigues aproveitou a tribuna da Câmara dos Deputados, durante a discussão da reforma política, para lamentar a agressão, criticar a atitude do aluno — e a atuação da professora, que teria defendido jogar ovos contra o deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ). Um parlamentar o repreendeu por colocar a vítima como responsável pela lesão.
“Fiquei extremamente chocado com a atitude daquele adolescente de ter batido de forma covarde na professora. Mas depois quando eu leio as redes sociais daquela educadora, não que a agressão se justifique, mas ela disse que o ato de jogar ovos em um deputado pode, o que é um violência. Se uma professora prega isso em sala de aula, é obvio que desperta a revolta também de um estudante”, frisou Rodrigues.
No começo da semana, a professora de uma escola municipal Marcia Friggi publicou fotos de seu rosto ensanguentada após receber socos de um aluno. Ele a havia agredido após ser expulso de sala. A repercussão do caso causou um embate político na internet, quando parte dos internautas apontou que ela defendeu agressões contra Bolsonaro e tinha elo com pensamentos de esquerda. Não é mais possível ver postagens da profissional anteriores a 21 de agosto.
O deputado classificou a agressão como “imperdoável”. Ainda assim, relacionou a agressão do adolescente de 15 anos ao projeto da Escola Sem Partido. Rodrigues é um dos defensores do projeto que promete acabar com a alegada doutrinação ideológica nas salas de aula.
“Não quero que meu filho tenha a lavagem cerebral de uma ratazana o que venha a dizer a ele o que deve pensar da política brasileira ou de seus líderes (…) Quero lamentar o ato da agressão, mas dizer a esta educadora: ‘Mude a sua concepção e respeite os pais dos seus alunos. A senhora tem a obrigação de ensinar em sala de aula, aquilo que é a sua missão e aquilo é sua obrigação'”, reforçou o parlamentar.
Ao fim do discurso, que ele compartilhou na íntegra em seu Facebook, o deputado recebeu críticas de outros parlamentares. Leonardo Brito (PT-AC) rebateu que Rodrigues tenha considerado a vítima como responsável pela violência. “Nenhum professor no Brasil merece ser agredido por alunos”, respondeu o petista.

