Por José Vicente Mendes
Cheguei em Colatina com 20 anos. Tem 46 anos que vivo aqui. Vim para chefiar a sucursal de A Tribuna. Aqui também conclui o curso de contabilidade no Telmo Mota Costa, que se localizava num prédio na avenida Getulio Vargas, onde também funcionava a Confecções Otto.
Quatro meses depois deixei o emprego em A Tribuna e estava propenso a ir embora. Trabalhava com o amigo Jadir Rodrigues que atuava na parte comercial. Foi quando numa manhã estava lendo jornal sentado num banquinho atrás da Banca do Briel, quando se aproximou o prefeito Paulo Stefenoni. No prédio onde funciona a Câmara hoje, funcionava a prefeitura. Ele me chamou para conversar e tomar um café em seu gabinete. Na conversa, falei com ele que estava para ir embora da cidade e ele me disse: “você nem bem chegou. A cidade não tem jornal, tem somente O Colatinense, que é órgão do Poder Público. Lança um novo título e pode contar com meu apoio. E já na primeira edição, Paulo fez uma publicação da Prefeitura.
Prepararei o jornal, chamei o Jadir que morava em Mantena (MG) para participar comigo deste empreendimento. Posteriormente, veio também J. Mendes. Fui imprimir o jornal em Manhuaçu na gráfica dirigida pelo padre Julio Pessoa Franco. Daí surgiu o Nova Geração, que foi uma história de sucesso na imprensa do interior do estado. Mas aí, Stefenoni havia recebido um convite para fazer um curso na Alemanha, por trinta dias, e viajou. O jornal circulou e a gente precisava de receber a mídia da prefeitura, para tocar a frente o projeto. Fui na prefeitura e conversei com o prefeito interino Gether Lopes de Faria, que eu até então não conhecia pessoalmente. Sabia apenas que era dono da Metalosa.
Expliquei para o Gether a situação que precisava receber. Não tinha nada assinado pelo Stefenoni, autorizando a publicidade. Mas Gether, que era uma pessoa muito franca, olhou para mim e disse: você com 20 anos é um empreendedor, dono de um jornal, e portanto acredito em você. Pegou o interfone e falou com Mauricio Cortat, então secretário da Fazenda, pedindo que me pagasse. E aí fizemos a segunda edição, o jornal seguiu em frente, e quatro depois, vendi minha parte para o sócio Jadir, que deu continuidade ao projeto.
Apesar de ter nascido em Santa Fé, perto de onde hoje tem um presídio, quando aqui cheguei conhecia poucas pessoas. Fui registrado no cartório em Marilândia. Meu pai, Clovis Mendes, residiu nesta cidade na década de 50, onde encontrei ainda alguns amigos, como os irmãos Moacyr e Dirceu Pagani.
Fiz nesta cidade grandes amizades. Enumerá-las seria impossível, e sempre esqueceria de alguém. Mas em nome de alguns que citarei, vou procurar homenagear aqueles, que não cito o nome neste momento. Isso é uma coisa muito ingrata. É difícil citar todos.
Mas não posso esquecer jamais de Gether Lopes de Faria, Paulo Stefenoni, Nahum Soeiro, Walter Silva Abreu, Nametala Aun, Odilon Nicchio, José Carlos Fardin, João Manoel Meneghelli, entre outros. Mas da turma mais jovem, que regulava idade comigo, posso citar, também alguns como Jorge Meneghelli, Sebastião Silva, Osmar Dallapicola, Tercilio Bernadina, Eleutério Schneider, Quinkas Guimarães, Ozéas Ximenes, Samuel Silva Martins, Adwaltar ‘Dida’ Brunow, entre tantos.
Nesta cidade tive grandes oportunidades. Em muitos momentos consegui uma boa estabilidade. A vida sempre foi de altos e baixos. Sempre tive um relacionamento de amor e ódio com o dinheiro. Mas não posso negar que tive grandes chances. Amo Colatina. Brinco até que a cidade é muito fotogênica. Não é muito bonita. Tem um por-do-sol encantador. Um povo maravilhoso. Amo viver aqui. Terminei o curso de contabilidade e fiz Direito. Muitas dificuldades. Sempre devendo a faculdade, e contando com a boa vontade da dona Ilária. Até que um dia o doutor Pergentino de Vasconcellos me deu alguns anos grátis; por sua conta. Também fui professor do Colégio Marista, convidado pela amiga Jussara Richa.
O jornalismo trás alguns contra-tempos, algumas inimizades, mas posso afirmar que tenho muitos amigos. Agradeço a Deus por tudo. Resumidamente, contei aqui um pouco do muito que Colatina representa para mim. Cumprimento a todos pelos 100 anos de Colatina.


