Uma pesquisa inédita, que vem sendo desenvolvida há dez anos no Espírito Santo, fundamenta técnicas capazes de ampliar em até 50% a produtividade por área plantada da pimenta-rosa. Com isso, agricultores capixabas terão mais condições para ampliar a produção, a colheita e o beneficiamento da pimenta-rosa, fruto da aroeira, com foco no mercado internacional
O cultivo de pimenta-rosa no Espírito Santo é ainda uma novidade , sendo grande parte dele extrativista. A aroeira é uma espécie muito presente no litoral capixaba e tem sido bastante requisitada como condimento em mercados internacionais, demandada principalmente por países europeus, como França, Itália e Portugal.
“Nós não temos ainda os protocolos de produção, não desenvolvemos tecnologias para isso, mas alguns produtores já enxergam valor comercial no produto, vendido em sua maioria para o exterior”, declara o chefe regional do Incaper em Linhares, Antônio Carlos Benassi.
No Estado, existem comunidades extrativistas que coletam a pimenta-rosa em 17 municípios litorâneos. Nos últimos anos, com a expansão do mercado internacional, houve também aumento na área cultivada, chegando aos 500 hectares, a maior parte está concentrada na região Noroeste.
A responsável pelas pesquisas, a bióloga do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), Fabiana Ruas, explicou que, por meio dos estudos, foi possível garantir aos produtores e extrativistas orientações corretas sobre o cultivo e o manejo com foco na qualidade do produto final e na produtividade de cada planta.
“Identificamos que, além de responder bem a adubação, também é possível fazer uso de mudas clonais de aroeira, ou seja, de uma árvore produtiva pode-se criar novas plantas, aumentando em 50% a produção do fruto por área plantada”, destaca.
A especialista observa que o extrativismo e o cultivo da aroeira vêm de agricultores familiares e um pequeno percentual de comunidades tradicionais. Cultivada sob boas práticas, a produção pode saltar de 1,5 kg para 20 kg de frutos por planta.
“A produção é concentrada no meio do ano, entre maio e junho. Então, essas comunidades ribeirinhas pegam essa parte do ano para colher a aroeira nas áreas nativas, em locais de pastagens ou na beira da praia, e vendem para as indústrias de beneficiamente”, explica Fabiana. O Espírito Santo conta hoje com seis empresas que trabalham no beneficiamento e na exportação da pimenta-rosa, sendo que duas delas são de grande porte.
O quilo do produto fresco pode ser comercializado por até R$ 8,50, dependendo da região e da qualidade do fruto.O maior concorrente do Estado na produção da aroeira são as Ilhas Maurício, na Ásia, que possui uma produção de alta qualidade voltada para as exigências dos países consumidores.


