As 14 pessoas que contraíram a doença moram em Povoação, no litoral do município
A aposentada Mercedes Martins está assustada. “A gente fica preocupada. Em casa, os vizinhos, todo mundo reclama sobre isso. A gente achar como que vai fazer, como que vai cuidar. Tanta doença, ainda mais essa agora que aparece”.
A recomendação de médicos é a de que, ao primeiro sintoma (a ferida na pele), a pessoa tem que procurar logo um especialista. Caso contrário, a doença pode evoluir e ficar mais grave.
“A ferida muitas vezes é confundida com um machucado comum. O pessoal vai passando uma pomadinha e ela pode até sumir, ter a cura espontânea. Mas acontece a disseminação pelo sangue e pode evoluir para a ferida aparecer em mucosas. Muitas vezes pega septo nasal e vai deixar cicatriz. O nariz acaba ficando deformado mesmo”, explicou o infectologista Fernando Achê.
A leishmaniose é uma zoonose (doença animal). O parasita, o protozoário do gênero Leishmania, o segundo que mais mata no mundo, se aloja principalmente nos cachorros. Os sintomas também aparecem nesses animais, como queda de pelos e feridas. De acordo com a Vigilância em Saúde, dois cachorros foram sacrificados por causa da doença neste ano. No ano passado foram quatro. Todos os casos foram autorizados pelos donos.
Já o transmissor da doença é o flebótomo ou mosquito-palha. Esse inseto se alimenta de sangue e ao picar um animal com a doença, também fica infectado. Depois, se ele picar uma pessoa, ela também vai ficar doente.
“O mosquito-palha é o vetor. Então, a gente precisa combater o vetor. O uso de inseticida já está sendo feito pela prefeitura, mas a gente tem que tentar adotar medidas para que esse vetor não chegue perto da gente. Uso de repelente, roupa comprida, principalmente quando a gente está na mata ou até 200, 300 metros do local onde o mosquito vive. Não é o cachorro que vai fazer mal. Ele não vai passar a doença. Precisa o mosquito picar o cachorro para picar o ser humano”, informou o infectologista.
Combate ao mosquito
Um bloqueio sanitário está sendo feito com dois carros fumacê com inseticida, para matar o mosquito-palha, transmissor da doença, onde existe a predominância de residências nas fazendas de cacau do município, principalmente nas comunidades de Povoação, Degredo e Regência. De acordo com a Vigilância em Saúde, casos pontuais da doença são comuns, porém, houve um aumento de registros devido à proximidade do ser humano em regiões de mata.
“A ocorrência da doença é restrita à regiões rurais. Inicialmente tivemos casos pontuais na região de Brejo Grande, que dá acesso à Povoação, e houve um aumento desses casos. A ocorrência da leishmaniose em Linhares nunca se apresentou em área urbana, sempre tivemos a ocorrência da doença pontualmente em algumas regiões rurais do município, agora nós vivemos uma situação de surto. Isso acontece porque a habitação humana está muito próxima, muito presente onde é comum encontrar o inseto. Nós ligamos o aumento da doença, principalmente a uma questão trabalho. A doença está se apresentando como ocupacional porque as pessoas tem que entrar nesse ambiente de mata, onde tem o reservatório natural da doença, que são alguns animais como raposa, gambá e alguns roedores, tem a presença do inseto que é responsável pela transmissão do parasita, então fecha um ciclo ali. A questão de proteger a habitação das pessoas com inseticida é porque ali existe a presença do inseto em algumas áreas próximo às casas. A proteção é para que não haja o agravamento da situação com a transmissão domiciliar”, informou o diretor de Vigilância em Saúde, Jeremilson Gomes.
Com informações de Kaio Henrique (TV Gazeta Norte)


