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“Foi à coisa mais importante da minha vida”, diz 1º homem trans do ES a conseguir nome social

Rede Diario Es por Rede Diario Es
28 de junho de 2019
em Geral
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“Foi à coisa mais importante da minha vida”, diz 1º homem trans do ES a conseguir nome social
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WhatsApp Image 2019 06 27 at 17.28.44Pedro Henriques. Foto: Acervo pessoalAceitação, passos importantes e mudança de vida. Estas foram fases importantes para Pedro Henriques, 19, subir um degrau decisivo e ser o primeiro homem trans do Espirito Santo a conseguir a alteração do registro de seu nome e também para o gênero masculino no RG, em 2018.

“Foi à coisa mais importante que aconteceu da minha vida”, afirmou em meio a uma voz confiante e alegre.

Pedro Henriques ressalta que ter o nome no documento é preciso. “É fundamental e muito importante ser respeitado pelo nosso nome. A mudança demorou uns quatro meses para a certidão e cerca de um mês para identidade. O meu demorou mais por conta de ser o primeiro, sendo que também vai de acordo com cada cartório”, explica.

Destinado à celebração e a lembrança da revolta ocorrida em Nova York, no final da década de 60, a comunidade LGBT+ celebra nesta quinta-feira (28), por meio da luta que nasceu com protestos opondo a violência policial contra gays, o Dia do Orgulho LGBT+ (um novo tipo de movimento).

Estando em luta, a comunidade, de janeiro a maio de 2019, esteve em luto por 141 vezes. O número representa a quantidade de pessoas LGBT+ mortas no Brasil. O dado representa a média de uma morte a cada 23 horas, segundo relatório do Grupo Gay da Bahia (GGB), a mais antiga associação brasileira em prol dos direitos LGBT+.

Presidente do Conselho LGBT+ do Espírito Santo, Fábio Veiga define o dia como marco para todo o grupo, que mesmo com algumas conquistas, não tem muito que comemorar.

“A data nos posiciona em uma questão politica, comemorando mais especial ainda, os 50 anos do que ocorreu em Nova York, em 1969. A partir dali, começam as conquistas no mundo e no Brasil, onde também tiveram espaços de discussão e conquistas. Marca o orgulho, por mais que a gente não tenha muito que comemorar, e nos marca por ser LGBT+”.

Transgêneros

Quando se fala em transgêneros, só em 2019, o número de assassinatos em decorrência da transfobia já chegou a 123, sendo 65 vítimas travestis e 53 mulheres transexuais. Números alarmantes que comprovam que o Brasil é o país mais perigoso do mundo para transgêneros, com a expectativa de vida de 35 anos para essa comunidade, ou seja, menos da metade do resto da população, que chega aos 75,5 anos, de acordo com o IBGE.

Fábio Veiga ressalta que o número de suicídios de jovens tem aumento por conta da LGBTfobia.  “O número é grande e o que precisamos é de respeito. Sempre buscando caminhos como a criminalização da LGBTfobia, que é a mais recente”, diz.

Entretanto, não só são as noticias ruins que prevalecem. Em 2018, 65 pessoas trans requereram por meio da Defensoria Pública do Espirito Santo a mudança do nome social. De acordo com o Conselho LGBT+ do Espírito Santo, o número pode ser ainda maior, por conta de quem optou por fazer todo o processo por conta própria.

O universitário Antônio Pedruzzi, 19, que também se descobriu e aceitou como homem trans, conta que quando se assumiu, se deparou com a liberdade de ser quem é.

“Tudo mudou após a mudança. Estou sendo mais eu. Mais próximo de mim é o jeito que estou me sentindo e me descobrindo”, conta Pedruzzi, que se descobriu aos 16 anos, com reflexos desde a infância.

Quando o assunto é a escolha do nome, uma pergunta vem em mente: como eles sabem e decidem isso? Antônio Pedruzzi queria que o nome trouxesse sentimentos bons. Sendo assim, o do avô foi o escolhido.

“O meu nome vem do nome do meu avô paterno. Nós éramos muito próximos, e ele faleceu quando eu era mais novo. Lembro-me de tudo que vivemos, e isso me traz sentimentos tão bons e inexplicáveis”, conta.

Já para Pedro Henriques foi natural, pois sempre foi um nome que ele gostou. “Se eu pudesse ser homem o meu nome seria Pedro, pois é o que eu mais me identifico. Sendo assim, o nome que me escolheu. Eu realmente me olho no espelho e vejo o Pedro, não é uma adaptação”, conta.

Apoio

Trabalhando a desconstrução do preconceito na família, o movimento Mães pela Diversidade Espirito Santo acolhe pais que por ventura tem dificuldade de compreender a orientação sexual e identidade de gênero do filho ou filha.

Coordenadora do projeto no ES, Mônica Alves de Faria conta que eles são trabalhados a compreender esse universo, desconstruindo a sociedade heterossexual preconceituosa.

“Nós somos pelos nossos filhos. Temos que ama-los do jeito que são e fazer com que a sociedade aceite. Pra gente é normal, e ai de quem falar que não é. Nós amamos os nossos filhos acima de tudo e queremos que eles sejam respeitados. Pra nos, a família é universal. E o grupo é uma família”, afirmou Mônica.

Por medo, todo o processo de alteração do registro do nome e também para o gênero masculino no RG foi feito escondido por Pedro Henriques. Ele conta que ainda é difícil, mas não tem o que fazer.

“Eu fiz o que era importante pra mim. Não falei por medo da aceitação. Parte da minha família não aceita. Entretanto, outra parte não entende, mas aceita. É inexplicável ver minha mãe me chamando de filho e Pedro. O acolhimento é fundamental”, ressalta.

Antônio Pedruzi, por outro, lado conta que a partir da descoberta da existência de pessoas como ele, ficou mais fácil. “Minha família está nesse processo de aceitação, no costume de falar o nome social (Antônio ainda não fez a retificação). Está se saindo bem, não tendo uma visão negativa. Porém, tem outros familiares que expulsam parentes por serem somente eles mesmos”, diz.

*ESHoje/por Matheus Passos

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