O protesto aconteceu devido aos policiais estarem com salários defasados. Mães, esposas, filhas e namoradas dos militares, protestam por melhores salários
O protesto aconteceu neste sábado dia 04, em frente ao 12ª Batalhão da Polícia Militar (PMES), no bairro José Rodrigues Maciel. Ali, as mulheres criticaram as condições trabalho e a falta de reajuste nos salários dos policiais. Todas de forma pacífica e ostentando cartazes, impediram as entradas e saídas das viaturas.
Luciana Albuquerque Schuster que é parente de um militar, disse que a falta de reposição salarial é apenas um dos motivos que levaram os familiares a protestar. Os familiares lutam para que os policiais tenham melhores condições de trabalho.
Entre as defesas feitas no local, a denúncia feita pelo DN Linhares de que ocorre o revezamento de colete balístico, também foi um dos motivos de protesto. As manifestantes alegam que as viaturas estão sucateadas, além da inexistência de outros benefícios que os militares não recebem como auxilio alimentação, transporte e plano de saúde.
Luciana disse que os militares, também reivindicam melhorias no atendimento no Hospital da Polícia Militar, o HPM. Segundo ela, a PM do Espírito Santo, convive com sete anos sem reajustes e outros três sem aumento. “Há pouca verba para gasolina e as viaturas estão sucateadas”, pontuou Luciana.
Para tentar expor ao Governo o a real situação da PMES, as associações da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros Militar, de Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar do Estado do Espírito Santo (ACS), dos Oficiais Militares do Espírito Santo (Assomes), dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros Militar e Pensionistas de Militares do Estado do Espírito Santo (Aspomires) e dos Bombeiros Militares do ES (ABMES), se reuniram e enviaram um documento solicitando uma reunião com o Governador Paulo Hartung.
Oficializado no dia 31 de janeiro, o documento foi enviado ao Governo no dia seguinte, sugerindo que o encontro fosse realizado até a primeira quinzena deste mês. São sete anos sem aumento e três anos sem revisão anual, salário de pouco mais de R$2.600,00, o menor entre os estados brasileiros, informa o presidente da Assomes o Major Rogério Fernandes Lima.
“Em 2016 fizemos várias interlocuções com o Governo, mas não tivermos um posicionamento concreto. Esse pedido de reunião é para que possamos sensibilizar o governador, falar das dificuldades que os policiais estão passando. Eles assumem o compromisso de dar a vida para a sociedade, é muito complicado motivar esse homem para trabalhar, nessa situação”, lamentou.
PM faz “bico” para manter as famílias
O presidente destaca que muitos policiais estão tendo que tirar os filhos das escolas particulares, tendo que cancelar planos de saúde, e definindo prioridades na hora de pagar as contas. Além disso, destaca que devido a tal situação, muitos tem que buscar outras alternativas de trabalho que podem interferir no trabalho de defesa da sociedade. “Tem PM fazendo “bico” para manter sua família”, disse uma das manifestantes.
“O policial que vai fazer o “bico”, fazendo segurança privada, por mais que seja fiscalizado, ele se coloca em situação de risco. E mesmo que ele não queira trabalhar com isso, e opta por trabalhar de pedreiro nas horas de folga, ele pode se acidentar e prejudicar o trabalho dele que é em prol da segurança da população”.
Já o presidente da ACS, sargento Renato Martins Conceição, entende que os protestos sejam uma consequência do que os militares estão recebendo. “Nós já alertamos o Governo sobre isso. Avisamos que a cota de cesta básica tinha acabado e vários policiais estão precisando delas. Acho complicado um sujeito que empenha a vida, ser tratado dessa maneira”, alertou.

