Dinheiro dado a meninos de rua patrocina droga e os mantém fora de casa assim como adultos pedintes se embriagam no vicio do álcool
Linhares – Se você ainda acha que dar trocados nas ruas e avenidas é uma forma de ajudar as crianças, artistas e moradores das ruas, chegou a hora de rever os seus conceitos. Essa suposta boa ação alimenta a vida nas calçadas e contribui para a degradação da infância e também de adultos.
Com as moedas recolhidas de mão em mão, destinos de crianças, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente) se prendem cada vez mais às ruas, onde estão expostos a riscos como drogas e violência. Além de não ajudar, a prática atrapalha o trabalho de quem tenta tirar as crianças das calçadas. – A esmola torna mais difícil para as equipes convencerem as crianças dos aspectos negativos da rua.
No caso de artistas de rua, que diariamente são vistos em semáforos executando malabarismos e outros, as moedas chegam a mascarar o problema de imigrantes que chegam ao país e inclusive Linhares, buscando alguma forma de sobreviver.
No mesmo patamar, alcoólicos inveterados ganham as ruas linharenses como a buscar forma de sobreviver a crises familiares. São sempre vistos solicitando algum trocado, e já não escondem que buscam forma de tomar um trago.
Segundo o antropólogo Roberto Da Matta, mudar a cultura é o desafio. A prática de dar esmolas foi herdada da tradição católica, mas acabou introjetada no país, como uma política de Estado. Em vez de investir em educação de excelência, como fizeram países europeus no século 17, o Brasil manteve a tradição colonial e preferiu apostar em soluções paliativas e programas assistenciais para enfrentar suas mazelas. Na sua visão, o próprio Bolsa-Família seria uma esmola de Estado, e não uma ajuda efetiva:
– Isso tem a ver com a cultura da escravidão. Os senhores emancipavam os escravos pouco antes de morrer, com medo de irem para o inferno. Mas largavam os escravos sem dar reais condições de dignidade. Gesto pode acarretar em atos de violência no futuro.
Catolicismo
No site http://www.ofielcatolico.com.br uma publicação fala a respeito e que um dos preceitos aos quais os católicos estão obrigados, não só durante a Quaresma mas também durante todo o ano, – e em todo o tempo de suas vidas, – é o de assistir os pobres e sofredores em suas necessidades, seja com ajuda material, conforto psicológico e emocional, dedicando ao menos um tempo mínimo para confortar (seja auxiliando concretamente ou ao menos ouvindo) àqueles que não tem ninguém ao seu lado e a dizer-lhes uma palavra de esperança.
Sim, dar esmolas é um preceito da Igreja. Jesus mandou dar esmola, mas precisamos entender o conceito de esmola. Qual seria a a maneira mais correta, justa, humana e socialmente responsável de dar esmolas? Dar dinheiro aos pedintes nas ruas ou colaborar com alguma instituição de caridade confiável, preferencialmente ligada à Igreja? O cartaz que ilustra esta matéria é da campanha ‘Criança quer futuro‘, da prefeitura de Curitiba (PR).

