Procurando ter um bom relacionamento com as empresas Samarco e Vale, representadas pela Fundação Renova, o governador Renato Casagrande joga com boné de dois bicos, ou seja, quer agradar a Deus e ao diabo ao mesmo.
Aproveitando dessa insegurança do governador, a Fundação Renova doou grande quantia em dinheiro para asfaltar o trecho da BR 101 a Regência, distrito muito prejudicado pelo lamaçal que desceu pelo rio Doce em novembro de 2015.
Casagrande aceitou entregar os interesses dos produtores rurais, que tiveram suas lavouras inundadas, ficando do lado das empresas que lucraram muitos milhões de reais a custa do sofrimento daqueles que lutam por um Brasil melhor.
O silêncio do governador é intrigante. Ele não defende os produtores que estão para serem indenizados pela Fundação Renova, e como Poncio Pilatos lava as mãos quanto ao problema, deixando centenas de pessoas desemparadas.
“Um governador fraco, que não toma iniciativas, não defendo seu povo, entrega-se às multinacionais, este é o perfil do governador Renato Casagrande”, diz um produtor. E a Justiça? Muito pouco têm feito no sentido de solucionar este grave problema. Cadê o Ministério Público Estadual? Cadê o Ministério Público Federal? O governador por certo se humilhou perante Deus e se exaltou perante os humildes.
Poucos deputados estaduais se pronunciaram a respeito e agora estão todos de boca fechada. É que o ano de 2022 é um ano político, haverá eleições e a Vale costuma ser generosa com aqueles que são fiéis na defesa dos interesses da companhia. A empresa colabora com grandes quantias para a eleição dos deputados que lêem na mesma cartilha. “Existe um jogo de interesse – afirma um produtor rural – onde a ganância e o suborno falam mais alto”.
Além das 19 vítimas e dos 860 hectares de Mata Atlântica destruídos, a lama da Samarco/Vale/BHP atingiu também 4 terras indígenas, mais de 43 municípios, e contaminou 675 do Rio Doce e seus 113 afluentes. No total, foram 11 toneladas de peixes mortos.
Após a tragédia, que deixou 19 mortos e um rastro de destruição por onde passaram os 40 milhões de metros cúbicos de rejeito de minério, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) local precisou reaprender como tratar aquela água que se tornou barrenta, turva e cheia de peixes mortos, que os moradores ainda descrevem como parecida com chocolate.


