Com a aproximação do período eleitoral, muitos candidatos vão se posicionar com relação a falta de indenizações para os produtores rurais prejudicados pelo lamaçal da Samarco, crime que passados seis anos, ainda continua impune. Alguns candidatos vão até defender a Vale, a Samarco, a BHP e Fundação Renova, na esperança de serem por eles patrocinados financeiramente. Outros que não vão conseguir esta “mamata” podem até defender os produtores.
O certo é que nenhum político deste Estado se comprometeu a defender a causa dos produtores prejudicados. Dia 05 de novembro de 2021 marcou o 6º ano de um dos maiores crimes socioambientais realizados no Brasil contemporâneo. Data marcante para as comunidades de Bento Rodrigues e Paracatu de Baixo, entre tantas outras atingidas pela destruição de lama e rejeitos até a Foz do Rio Doce, em Regência-ES.
Neste período de seis anos, vivendo sob extremas necessidades, as comunidades atingidas diretamente não foram reparadas integralmente após inúmeros acordos de gabinete, se é que há possibilidades de reparação entre tantas destruições e assassinatos. A Cáritas Minas Gerais organizou eventos denunciando a total falta de reparações mínimas dos danos.
A Fundação Renova, sem critério algum, procurando gastar os bilhões de reais que as empresas tiveram de lucro no ano passado, indenizou aleatoriamente, centenas de pessoas que não mereciam, sem nenhuma justificativa. Qualquer cidadão se apresenta como pescador e recebe uma indenização em média de 90 mil reais. Outros dizem que foram prejudicados pela falta de água e recebem outra volumosa quantia. Aqueles que tiveram as terras consideradas inférteis para a agricultura e tiveram perca total da lavoura, são tratados como usurpadores, e sem nenhuma consideração.
Até quando o crime será compensador para a Vale, a Samarco e a BHP Billiton? A Justiça tem que ser feita, e os responsáveis pelo maior crime sócio ambiental do mundo, terão que pagar pelos seus erros, se é que seja possível. No Espírito Santo, o silêncio e descaso do governador Renato Casagrande com relação ao problema, chega a ser perturbador. Ele simplesmente ignora o fato, não se pronunciando a respeito. Como no passado, em cargos disputados sempre recebeu apoio de multinacionais, este ano parece que não vai ser diferente. Ele finge que não vê, não escuta, não fala, e fica na expectativa de ter o apoio dessas empresas que praticam crimes e ficam impunes.


