Espírito Santo está sem vacina e soro para prevenir raiva em humanos

As vacinas e soros antirrábicos para prevenir a raiva em humanos estão em falta no Espírito Santo.

A Prefeitura de Vila Velha emitiu um alerta para que se tenha mais cuidados ao entrar em contato com animais, domésticos e na rua,

Segundo a prefeitura, a orientação vem com base em comunicados do Ministério da Saúde e da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa).

Uma nota conjunta emitida pelo Programa de Profilaxia da Raiva da Sesa, segundo a prefeitura, informou que “o estoque estadual de soro heterólogo encontra-se zerado e, aliado a este fato, o estoque de imunoglobulinas está insuficiente para atender à demanda do Espírito Santo”.

Por nota, a coordenação do Programa Estadual de Imunização da Sesa informou que o Estado tem recebido a vacina antirrábica, disponibilizada pelo Ministério da Saúde, em quantidade inferior a cota mensal.

No entanto, disse que os municípios estão orientados para trabalhar estratégias de vigilância a fim de reduzir o consumo da vacina e com o estoque existente conseguir atender a população que realmente precisa da vacina para profilaxia da raiva.

O Ministério da Saúde foi procurado, não retornou a demanda até o fechamento da reportagem.

O que é a raiva?

A Referência Técnica da Profilaxia da Raiva Humana da Semsa, Ingrid Schneider Plazzi, faz as seguintes orientações à população:

A raiva é uma zoonose (doença transmitida de animais para o homem) causada por um vírus presente na saliva e secreções do animal infectado, através da mordedura, arranhadura ou lambedura. É uma das doenças mais graves que se tem conhecimento, com taxa de mortalidade de quase 100%.

O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. O período de incubação está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado, da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos, da concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.

Nos cães e gatos, a eliminação do vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.

Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente

O que fazer?

Apesar de não haver registros de raiva humana no município, é importante que a pessoa agredida por animais como cães, gatos, morcegos, macacos e outros mamíferos, procure a Unidade de Saúde para receber atendimento e orientações.

Para evitar que o vírus penetre no organismo, a pessoa agredida deve tomar as seguintes medidas, mesmo que o animal seja vacinado:

Lavar imediatamente o ferimento com água e sabão Durante a semana, procurar com urgência a Unidade de Saúde mais próxima ao local da agressão e o PA de Cobilândia, caso a agressão tenha acontecido no final de semana ou feriado. Nesses locais, o paciente vai receber orientações e, se for o caso, iniciar o tratamento profilático da raiva com a vacina antirrábica. No caso de agressão por cão ou gato não matar o animal e sim deixá-lo em observação durante 10 dias, para que possa ser identificado qualquer sinal indicativo da raiva.

O animal deverá receber água e alimentação normalmente, em um local seguro, para que não fuja ou ataque outras pessoas ou animais.

Se o animal adoecer, morrer, desaparecer ou mudar de comportamento, comunicar o fato imediatamente ao Serviço de Saúde. Caso o animal morra, ele não deve ser enterrado ou jogado fora.

Nunca interromper o tratamento preventivo sem ordens do profissional de saúde.

Tratamento

Os profissionais de saúde tratam o paciente agredido por animal, conforme Protocolo do Ministério da Saúde. Em alguns casos, quando o animal é observável, nem sempre se torna necessário a administração da vacina antirrábica, na pessoa que foi agredida. Dependendo do tipo, do local da agressão e do animal agressor haverá necessidade da administração da vacina e às vezes do soro antirrábico.

Controle

Vacinar cães e gatos anualmente. Não deixar seu animal solto nas ruas. Evitar que seu cão ou gato tenha acesso livre às ruas, mesmo que seja por entre grades, portão ou sobre muro. Sempre levar seu animal de estimação para passear com coleira, guia e focinheira.

Os donos devem observar as carteirinhas de seu animal de estimação, pois a vacina é válida por 12 meses.  Neste ano, o Estado está programando a Campanha de Vacinação para o mês de outubro. Animais agressivos devem sair para passear somente acompanhados de pessoas que os controlem.

Situação de risco

Não brinque ou irrite os animais. Não mexa com os animais quando estiverem comendo, bebendo ou dormindo. Não tente separar briga entre animais. Não brinque com fêmeas com crias.

Caso encontre algum morcego vivo ou morto em situação anormal, por exemplo, caído no chão, pendurado em janelas, cortinas, em cima da cama, à luz do dia, NÃO TOQUE NO ANIMAL E LIGUE IMEDIATAMENTE PARA O UNIDADE DE VIGILÂNCIA DE ZOONOSES, SOLICITANDO O RECOLHIMENTO.

Se possível, capture o animal sem tocá-lo utilizando panos, caixas de papel, baldes ou mantendo-o preso em ambiente fechado até que a equipe do Centro de Controle de Zoonoses realize o recolhimento.

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