Da redação
Sem conseguir definir se quer ser da direita ou da esquerda, o governador Renato Casagrande segue fazendo político se equilibrando numa pinguela, querendo agradar a Deus e ao diabo ao mesmo tempo. Com isto tem conseguido desagradar a seus correligionários, que vêem na atitude de Casagrande sintomas de fraqueza no comando de ações.
O governador tem uma certa dificuldade em impor suas ordens, mesmo estando com a caneta na mão. Exemplo disso, é seu relacionamento com a secretária de Comunicação Flávia Mignone. Ele dá uma ordem, ela simplesmente não cumpre. E ele, que poderia exonera-la do cargo, simplesmente não o faz, mostrando que não tem voz ativa em várias questões pertinentes à sua administração.
Agora está entre a cruz e a espada. Flerta com vários segmentos partidários na esperança de vencer o pleito eleitoral. No seu caminho, tem nomes que podem barrar sua pretensão de ser reeleito. E todos confirmam o seu medo de ter que levar a disputa para um segundo turno. Aí a questão fica difícil. Enfrentar Manato, Zanon, Audifax, Colnago, ou outro qualquer no segundo turno, o caldo engrossa e a derrota para a ser um fato real.
Portanto, só resta ao governador vencer no primeiro turno e liquidar a fatura. Do contrário, o jogo fica difícil. Por isso ele caminha com certa dificuldade com uma equipe capenga.
O PT e o PSB seguem discutindo a formação de uma federação partidária, mas as conversas têm esbarrado em rusgas e divisões locais. O último elemento desse cenário foi o encontro entre o ex-juiz Sergio Moro (Podemos) e o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, um dos principais nomes do PSB.
A questão ganhou novos contornos neste domingo, 13, quando Casagrande elogiou uma postagem numa rede social em que um auxiliar direto rebateu as críticas de lideranças petistas à reunião entre Moro e o governador. Na publicação, o subsecretário capixaba de políticas sobre drogas Carlos Lopes disse: “O PT, quando esteve no poder, fez alianças até com o satanás, agora vem querer regular quem o governador recebe? Me poupem desse falso moralismo ou puritanismo ideológico”. Em resposta, Renato Casagrande escreveu: “Boa afirmação, amigo”. O encontro entre o governador e o ex-ministro da Justiça, no sábado, em Vitória, incomodou a cúpula do PT, que não perde a oportunidade de criticar o ex-juiz responsável por condenar e mandar prender o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Lava Jato.
O próprio Lula disse na semana passada que os erros do partido são menores que os acertos ao longo de 14 anos de governo. Neste domingo, Lula usou as redes sociais para rebater quem cobra uma resposta sobre os escândalos em gestões da sigla. O petista escreveu: “Tem gente que autocrítica. Eu tenho autocrítica. Quero sempre melhorar. Mas se eu me criticar, o que quem se opõe a mim vai falar? Eles querem que eu fale bem de mim e que eu fale mal de mim também”. Na sequência, o ex-juiz Sergio Moro rebateu o petista. Ele afirmou que “autocrítica de quem roubou é pedir desculpas, devolver o que foi roubado e pagar na justiça pelos crimes cometidos. O resto é papo furado de quem quer enganar os brasileiros novamente”. (*Com informações do repórter Daniel Lian).


