Mãe foi omissa e responderá pelos mesmos crimes que o marido, diz promotora

Juliana Salles responderá por dois estupros de vulneráveis, dois crimes de tortura e fraude processual, por alterar a cena do crime

Linhares – A promotora de Justiça Rachel Tannenbaum, da 2ª Promotoria Criminal de Linhares, esclareceu os motivos da prisão de Juliana Salles, mãe das crianças mortas carbonizadas em Linhares, durante uma coletiva realizada na tarde desta quarta-feira (20), na sede do MP, no bairro Três Barras. Segundo ela, após a conclusão do inquérito policial, o Ministério Público percebeu que haviam outros indícios de coautoria de Juliana e, a partir de então, fez o requerimento de novas diligências.

“No âmbito do Ministério Público, particularmente no laboratório de tecnologia, tivemos provas contundentes, tanto do Georgeval, quanto de Juliana. Colhemos provas de que ela tinha pleno conhecimento do desvio de caráter do próprio marido, da relação conturbada que ele tinha com a própria sexualidade e do menosprezo com o qual ele tratava, tanto os filhos, quanto o enteado. Mesmo sabendo disso, tendo pleno conhecimento dos riscos que as crianças estavam submetidas ao serem deixadas aos cuidados exclusivos de Georgeval, ela viaja para um encontro da igreja e deixa os dois sozinhos com ele”, explica.

Rachel destaca ainda que Juliana foi omissa e, por isso, responderá pelos mesmos crimes que o marido: dois estupros de vulneráveis, dois crimes de tortura e fraude processual, por alterar a cena do crime. “Uma omissão de uma mãe que tem o dever legal de zelar e de cuidar, tem o desvalor equivalente a uma ação. Ou seja, ela tinha pleno conhecimento do risco, podia evitar esse resultado trágico que ocorreu com as crianças e não evitou. Ela responde com a omissão dela, com o não agir de uma mãe, pelo mesmo crime de quem executou, tanto os estupros, quanto os homicídios. Por isso que hoje ela é formalmente ré”, destaca a promotora.

Sobre os próximos passos do processo, Rachel esclarece que agora os advogados poderão responder às acusações, em seguida será marcada uma audiência de instrução e, por último, Georgeval e Juliana serão submetidos ao Tribunal do Júri. “A denúncia já foi recebida, vai ser dada oportunidade ao contraditório, os advogados vão poder responder às acusações, depois disso vai ser marcada a audiência de instrução das testemunhas e no final eles serão submetidos ao Tribunal do Júri. Mais efetivamente, a sociedade vai poder participar porque é um tribunal popular”, conclui Rachel. Fonte: Folha Vitória.

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