
Desde que rompeu seu silêncio, há quase uma semana, uma coisa é certa: o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon mostrou que chegou no jogo eleitoral pra jogar de verdade, e a reação de aliados de Renato Casagrande (PSB) e do próprio governador às falas de Guerino dão sinais claros de que ele é o concorrente que mais assombra os governistas nos corredores do histórico Palácio Anchieta. O político de Linhares incomodou e chega no xadrez eleitoral – ou para o debate eleitoral – mostrando que veio para jogar de verdade.
Uma parte de suas críticas já vinha sendo feita pelos demais oponentes do governador em entrevistas há algum tempo e não despertou tanta ira palaciana – como a dos convênios que se intensificaram em ano de eleição. Por que tanto incômodo com Guerino? A avaliação de atentos observadores da cena política é de que Guerino se coloca como o principal oponente do governador, com potencial para ameaçar os planos de reeleição do grupo que atualmente toma conta do Estado.
Quando era do histórico PMDB, Guerino já alimentava há tempos o desejo de ser governador do Estado. Guerino fez de Linhares esses anos todos, o seu modelo de gestão – com desafios a superar que uma cidade em tanto crescimento tem. E esse é o seu principal ativo. Apresenta-se como o bom gestor X o que define – nas palavras dele – como “governo medíocre e com equipe ruim”. Uma crítica que parece ter incomodado menos que os convênios. Mas só parece.
No íntimo governista, os aliados palacianos sabem que este é um dos principais carimbos que a atual gestão tem: de uma equipe mediana, por assim dizer, e que tem na ante-sala do gabinete do governador colaboradores que ostentam como principal título a carteirinha do partido: o PSB. Um governo que faz o feijão com arroz, mas que não passa disso.
Guerino chega vestindo a camisa de centro – direta, conservador, mas em suas falas diz que é adepto à inovação e que respeita os diferentes. É do jogo. Assim como é do jogo, nesta eleição com tantos candidatos colocados até agora, que o atual governo e seus colaboradores recebam críticas. A questão é como reagem a elas.
Um cenário que promete próximos capítulos quentes com a entrada de um jogador que tem cinco mandatos de prefeito e que transformou uma cidade no principal polo de desenvolvimento do Estado. Vai ser uma partida com jogadores interessantes, bem mais do que na última eleição, quando – com Paulo Hartung fora da disputa e sem ter preparado um sucessor – Casagrande pode ir a passeio para o seu segundo mandato. O eleitor aguarda as próximas cenas. E o mercado político, aquecido por Guerino, também.


