Ministério Público desmonta esquema de corrupção em prefeituras

 

A operação envolve empresários e servidores públicos em fraude de licitações para a coleta de lixo

Sete mandados de buscas e apreensões deferidos pelo Juízo da Comarca de Montanha, noroeste do Estado, foram cumpridos na manhã desta terça-feira (26) no município, com o objetivo de apreender documentos, computadores, mídias e outros equipamentos visando apurar a suposta prática de crimes de corrupção ativa e passiva, peculato, formação de quadrilha, fraude à licitação e tráfico de influência na coleta de lixo.

As ações fazem parte da terceira fase da operação “Varredura”, denominada “Retomada”, nos municípios de Montanha, São Gabriel da Palha, Colatina e João Neiva, iniciada em agosto de 2017, quando foram presos o empresário Richelmi Milke, dono da empresa RT Empreendimentos e Serviços Ltda, de São Gabriel da Palha, e o secretário de Administração e Finanças de Ponto Belo, Vanilson Alves Vilela.

Na época da primeira operação, o Ministério Público chegou a pedir o afastamento do prefeito de Ponto Belo, Sergio Murilo Moreira Coelho (PSDB), e mais 11 servidores públicos, pela prática de atos de improbidade administrativa.

O nome da operação é uma referência à necessidade de varrer a corrupção no setor de coleta e tratamento de resíduos sólidos em municípios do Estado. As investigações estão sendo conduzidas por cinco promotores de Justiça, com participação e apoio de 16 policiais do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco Norte) e da Promotoria de Justiça de Montanha, com participação e apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES.

A primeira fase da Operação Varredura foi deflagrada pelo MPES no dia 29 de agosto de 2017, nos municípios de São Mateus, Jaguaré, São Gabriel da Palha e Vila Velha. As ações foram desenvolvidas pelo  Gaeco-Norte e da Promotoria de Justiça Criminal de São Mateus, com participação e apoio do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES.

Dois dias depois, foi deflagrada a segunda fase da operação, nos municípios de Ponto Belo, São Gabriel da Palha e Baixo Guandu. Foram cumpridos cinco mandados de buscas e apreensões, cinco de conduções coercitivas e dois de prisão preventiva.

O empresário Richelmi Milke, dono da empresa RT Empreendimentos e Serviços Ltda, foi preso em São Gabriel da Palha. Também foram apreendidos documentos, computadores, mídias e outros equipamentos e materiais.

Além da RT Empreedimentos e Serviços, são investigadas como participantes do esquema fraudulento as empresas Aliança Serviços e Construções e Qualitar Limpeza e Soluções Ambientais. Há fortes indícios, como aponta a apuração, de que essas três empresas tinham a participação do empresário Richelmi Milke.

Em depoimento gravado, o titular da empresa Qualitar Limpeza e Soluções Ambientais, Edson Antônio Almeida, diz que não participou de licitação. Edson afirma que Richelmi faz parte de uma “sociedade verbal” com a Qualitar e que apenas o auxiliava na administração da empresa, não recebendo provento, tampouco fazendo parte do quadro societário.

O titular da Qualitar, declarou que o “amigo” Richelmi Milke indicou a compra da empresa e ainda colaborou em setores em que não possuía conhecimento. Em outro trecho do depoimento, reafirma que não integralizou capital na empresa e que apenas ajudava na administração. Edson afirma que atualmente trabalha como auxiliar no escritório de contabilidade do irmão.

Após o cumprimento dos mandados nesta terça, os membros do MPES, com participação e apoio de policiais do Núcleo de Inteligência da Assessoria Militar do MPES, além de outros servidores, passarão a analisar os documentos e dados apreendidos, além de tomar declarações dos investigados, testemunhas e informantes.

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