Falta de vacinação já matou 37 pessoas de sarampo na Europa neste ano

 por Redação Galileu

Vacina tríplice viral é a usada para evitar sarampo, rubéola e cachumba (Foto: Senior Airman Areca Wilson/Wikimedia Commons)

Um surto de sarampo na Europa está preocupando médicos do mundo ineiro. Nos primeiros seis meses de 2018, 41 mil casos foram registrados, sendo que 37 pessoas morreram. Para especialistas, o mais grave das ocorrências é que a doença poderia ser evitada porque já existe uma vacina contra a enfermidade.

“Temos uma situação muito séria”, disse Alberto Villani, pediatra do Hospital Pediátrico Bambino Gesù, na Itália, e presidente da Sociedade Pediátrica Italiana, em entrevista à NBC. “Pessoas estão morrendo de sarampo. Isso era inacreditável cinco ou dez anos atrás.”

Segundo ele, o problema é a queda nas taxas de vacinação. Para evitar surtos, pelo menos 95% da população precisa ser vacinada com duas doses da vacina tríplice viral (contra sarampo, cachumba e rubéola). E em algumas partes da Europa, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a vacinação é menor do que 70%.

“É inaceitável ter no século 21 doenças que deveriam ter sido e poderiam ter sido erradicadas”, falou Anca Paduraru, da Comissão Européia em Bruxelas, à NBC.

Em 2017, o Centro de Controle de Doenças dos Estados Unidos estudou o crescente número de surtos de sarampo no país e descobriu que 70% dos novos casos ocorrem em pacientes não vacinados.

Antivacinas
Movimentos contra a aplicação de vacinas vem crescendo nos últimos anos. De acordo com o portal Science Alert, isso começou a ganhar força graças a um estudo de 1998 de Andrew Wakefield. Na pesquisa, ele usou resultados falsos para afirmar que havia uma relação entre a vacina tríplice viral e o autismo.

Análises posteriores desmentiram Wakefiel, que anos mais tarde foi retirado do conselho de medicina do Reino Unido por má conduta. Ainda assim, muitas pessoas acreditam que as vacinas são prejudiciais e recusam a aplicá-las em crianças.

Segundo especialistas, se apenas 5% de uma comunidade se recusa a tomar vacina, isso pode ter um efeito desproporcional na saúde pública, ocasionando surtos de enfermidades evitáveis.

Sarampo
A doença infecciosa pode ser fatal, principalmente para crianças. Em 2016, houve 89.780 mortes por sarampo no mundo, a maioria em crianças com menos de 5 anos.

“As pessoas não veem as doenças, esquecem-se delas ou acham que não existem mais”, comentou Jeffrey D. Klausner, professor de medicina da Universidade da Califórnia. “Elas não percebem que seus filhos correm risco de ter de meningite, sarampo, encefalite e outros danos cerebrais permanentes.”

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