ES Polícia Federal inicia operação “Fruto Podre” e desvenda fraudes em financiamentos da Caixa no ES

Estado – Pela manhã desta quarta-feira (08), 59 policiais federais estão cumprindo 18 mandados de busca e apreensão e um mandado de prisão preventiva no Estado. A operação, batizada de Fruto Podre, é parte de uma investigação de fraudes em financiamentos orquestradas por um correspondente bancário que recrutava pessoas para que simulassem financiamento imobiliário com o fim único de se apropriar de recursos da Caixa Econômica.

Descobriu-se que a fraude consiste em se financiar um imóvel superavaliado, que era vendido por um “laranja” e comprado por outro “laranja”. A pessoa que aparece como vendedora no financiamento, depois de receber o dinheiro liberado pela instituição financeira, realizava o saque de todo ou da maior parte dos recursos e depositava em contas do citado correspondente ou de outras pessoas envolvidas na fraude.

Cerca de 26 contratos suspeitos estão em inadimplência, que, em valores ainda não atualizados, somam mais de R$ 5 milhões e como se tratam de fraudes, em muitos deles, somente as primeiras parcelas eram quitadas (há caso em que nenhuma parcela chegou a ser paga).

Entre pessoas físicas e jurídicas, podem estar envolvidas na fraude 63 pessoas, número que pode aumentar com o desenrolar das investigações. Para se conseguir que o imóvel fosse superavaliado, há suspeita do envolvimento dos avaliadores contratados, já que a distribuição nesses casos foi manual, não se descartando, assim, eventual envolvimento de empregados da instituição financeira.

A investigação que inicialmente apurava a prática de crime financeiro, também passou a apurar a prática de peculato, uma vez que o correspondente bancário é equiparado a funcionário público, nos termos do Código Penal.

Os crimes em apuração são o do art. 19, parágrafo único, da Lei 8.492/86 (fraude em financiamento junto à instituição financeira oficial), o § 1º, do art. 312, do Código Penal (peculato) e art. 304 do Código Penal (uso de documento falso). Somadas as penas podem chegar a 27 anos.

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