Governo quer fechar acordo de redução de açúcar até junho

Brasil – O governo brasileiro exigirá maior transparência sobre a quantidade de açúcar em cada produto, em um esforço de combater a obesidade. O anúncio foi feito nesta terça-feira, 22, pelo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, durante seu discurso na Organização Mundial da Saúde (OMS), em Genebra.

Para isso, o governo trabalha em estabelecer uma nova rotulagem de alimentos. Ao jornal O Estado de S. Paulo, Occhi ainda informou que, até o próximo mês, o governo fechará com a indústria nacional um acordo de redução de açúcar.

“Esperamos ter um acordo até o mês que vem”, disse Occhi. Segundo ele, não existe um porcentual único de redução e cada setor implementará um corte diferenciado. Mas a proposta atingirá produtos como bolos, achocolatados e outros alimentos. “Não faremos nada que não seja negociado”, insistiu, apontando até mesmo para um diálogo com fabricantes de refrigerantes.

A informação sobre a rotulagem, ainda que esteja sendo apresentada nesta semana na OMS, já vem sendo debatida no Brasil desde meados de 2017. “A proposta tem como objetivo combater o excesso de peso e a obesidade, que apresentam níveis preocupantes na população brasileira”, indicou o governo, em nota.

Ainda assim, segundo o Ministério da Saúde, o Brasil apresentou uma proposta de nova rotulagem de alimentos e acordo com a indústria para redução de açúcar nos produtos ultraprocessados. “As medidas visam facilitar a compreensão do consumidor e trazer orientações claras para escolhas mais saudáveis”, indicou.

“Estamos engajados na adoção de políticas concretas e efetivas para conter o avanço da obesidade. O Brasil adotará medidas para alertar sobre o excesso de açúcar no rótulo de alimentos processados, e, assim, os consumidores poderão fazer escolhas mais saudáveis. Também estamos estruturando medidas para reduzir o açúcar nesses alimentos”, afirmou o ministro.

De acordo com ele, o excesso de peso atingiu em 2017 54% da população nas capitais do País e 18,9% estão obesos. O aumento foi de 36% e 42%, respectivamente, de acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está liderando a formulação dos novos rótulos.

“A meta é que ao final do processo seja feita uma consulta pública com a sociedade. A proposta é que o rótulo deve ficar na parte frontal com advertências em relação ao excesso de nutrientes que podem trazer malefícios à saúde, como sódio, gordura e açúcares”, destacou o Ministério da Saúde. Foto: reprodução/Web.

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