Hospital Rio Doce faz transplante de coração em caráter excepcional

Linhares – O hospital Rio Doce realizou na noite da última terça-feira (08), e madrugada de quarta, (09), o primeiro transplante de coração do Norte do Estado. Realizado na instituição, em virtude do caráter excepcional do caso, o transplante foi feito em uma paciente de 37 anos, moradora da região Noroeste do ES, internada no Rio Doce desde o último dia dois de maio.

A receptora continua internada na Unidade Intensiva Coronariana (UCO) do hospital, e segundo os médicos que acompanham o caso a evolução clínica da paciente, dado a gravidade do caso, está dentro do esperado.

O Dr. Flávio Rosa, Cirurgião Cardíaco do Hospital Rio Doce que fez parte da equipe transplantadora, explica que a mulher foi internada inicialmente para fazer uma cirurgia cardíaca, (troca de válvula mitral) e no pós operatório apresentou um quadro raro.

“Após a troca da válvula o coração não voltou a bater normalmente o que impossibilitou a paciente de sair da máquina que manteve a circulação sanguínea durante o procedimento cirúrgico”, relata o médico.

Em decorrência do estado da paciente ela foi encaminhada para UCO, onde ficou por seis dias com um coração artificial. Dr. Gabriel Cremasco Scardini, que também é Cirurgião Cardíaco do Hospital Rio Doce e fez parte da equipe de transplante, lembra que enquanto a paciente era mantida viva por meio de aparelhos a Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos (CIDOT) do hospital, corria contra o tempo na tentativa de incluir a paciente na lista de prioridade para transplante.

“Assim que percebemos a gravidade do caso a equipe da CIDOT iniciou o trabalho de inclusão da paciente na lista de prioridade para transplante junto a Central Nacional de Transplante. Felizmente no dia quatro ela foi aceita e  entrou na lista de prioridade receber o coração”, explica o cirurgião.

No dia sete, aqui mesmo no hospital Rio Doce surgiu um coração compatível, porém começava um novo dilema. O estado de saúde da paciente não permitia a remoção, nem mesmo de helicóptero, para o hospital Meridional de Cariacica, hospital credenciado pelo Ministério da Saúde para realização de transplantes no Espírito Santo. “em decorrência disso, e em virtude da gravidade do caso, a equipe de transplante decidiu em um caso de exceção, e caráter excepcional, que o transplante seria feito no hospital Rio Doce”, salienta Dr. Flávio.

Dr. Flávio disse ainda que só foi possível realizar o transplante no Rio Doce graças ao comprometimento dos gestores do hospital em oferecer as melhores condições as equipes que se dedicam ao atendimento dos pacientes assistidos no hospital. “Poder fazer esse trabalho aqui, no hospital onde trabalhamos todos os dias é motivo de muito orgulho para todos nós e prova da capacidade de atendimento em alta complexidade que o hospital oferece”, revela o médico.

O Diretor Técnico do hospital, Dr. Ronaldo José de Souza, assinala que o hospital disponibiliza de diversos serviços de alta complexidade: cirurgia cardíaca, cateterismo cardíaco- pioneiro no estado com a colocação de válvula no coração através de procedimento endovascular- neurocirurgia, UTI adulto, unidade coronariana, UTIN, tratamento clínico e cirúrgico em oncologia , unidade de hemodiálise, cirurgia bariátrica, cirurgia geral e urológica por videolaparoscopia, etc. E diz que “apesar da excepcionalidade, um transplante cardíaco realizado no Rio Doce, é a certeza de que estamos no caminho certo, que é transformar o hospital em uma unidade cada vez mais resolutiva, abrigando  o maior número de serviços complexos para atender os pacientes que procuram o serviço.

Captação e transplante feitos no Hospital Rio Doce

Na noite do último domingo (06) deu entrada no pronto socorro do hospital Rio Doce um jovem de 17 anos, morador da região Norte do Estado, vítima de acidente. Exames de imagens feitos no rapaz assim que deu entrada no hospital revelaram um traumatismo craniano e ele foi internado na Unidade de Tratamento Intensiva (UTI).

Na segunda-feira (07) os médicos, juntamente com a equipe de Comissão Intra-Hospitalar para Doação de Órgãos e Tecidos (CIDOT) abriram o protocolo de morte encefálica. Após todos os exames, normas e condutas que o processo exige foi constatada morte encefálica do jovem. Abordados pela CIDOT, procedimento habitual em mortes desse tipo, os familiares do rapaz decidiram fazer a doação dos órgãos.

“É um ato doloroso, porém gratificante, que nesse momento de tanta dor pela perda do meu filho, tem nos ajudado superar. Saber que os órgãos do meu filho salvaram muitas vidas, que o coração do meu filho está vivo é uma obra de Deus que não tem explicação”, relatou a mãe do jovem doador.

Além do coração também foram captados os rins e o pulmão do doador.

Um alívio para família receptora

Passado o susto da notícia que a esposa precisava com urgência de um transplante, o marido da paciente diz que nunca passou pela cabeça dele um dia viver toda essa situação. Ele também se diz muito grato a Deus pelo fato da esposa está internada em um hospital com condições para fazer o transplante, e também aos familiares que fizeram a doação dos órgãos, para ele foi um grande aprendizado.

“Em nenhum momento da minha vida pensei que alguém da minha família pudesse viver tudo isso, pudesse precisar de um órgão de outra pessoa para continuar vivendo, só ouvia falar de transplante, por alto, na televisão. Para mim e toda família fica um aprendizado muito grande de que com a doação podemos salvar até oito vidas. Estamos todos muito gratos a essa família que mesmo em um momento de dor pensou no próximo, e claro gratos a Deus por ela estar internada em um hospital com capacidade de realizar o transplante”, relata.

O esposo disse ainda que já conversou com os pais e deixou claro que “se caso eu morrer de maneira repentina e meus órgãos servirem para doação, eu quero que eles doem todos os meus órgãos, por que isso é um grande gesto de amos pelo próximo”.

Por força da lei que rege o Sistema Nacional de Transplante o nome da receptora e seu esposo, bem como do doador e sua mãe, as cidades onde residem, e demais detalhes não poderão ser divulgados. Com foto e informações do hospitalriodoce.com.br

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