Investigação aberta para averiguar condições degradantes de trabalho em fazendas do Incaper

Linhares – A insalubridade e os riscos a que estão expostos diariamente os servidores que atuam nas fazendas do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (Incaper) serão averiguados por uma perícia judicial, determinada pelo juiz Thiago Albani Oliveira Galvêas, da Comarca de Linhares, norte do Estado.

A decisão foi tomada em audiência realizada nessa quinta-feira (8), a primeira de muitas que estão por vir, informa o Sindicato dos Trabalhadores e Servidores Públicos do Espírito Santo (Sindipúblicos), autor da ação acolhida pela Justiça Estadual. Em cada comarca onde há fazenda do Incaper, há uma ação nesse sentido.

Nessa primeira ação em julgamento, envolvendo as fazendas de Linhares e Sooretama, assim como nas demais unidades, há casos aviltantes, como servidores bebendo água diretamente de córregos, sem tratamento, trabalhadores indo a lavouras sem proteção contra cobra e outros Equipamentos de Proteção Individual (EPIs), e aplicando agrotóxicos também sem os devidos EPIs.

As estruturas físicas das fazendas também são precárias, oferecendo riscos aos servidores. Rachaduras, banheiros desativados ou em péssimo estado, telhados com estrutura deficiente, alojamentos descobertos, espaços de armazenamento de materiais inapropriados, galpões e refeitórios abandonados, instalações elétricas expostas, entre muitas outras irregularidades.

Animais mortos em 2016
Em 2016 em reportagem de Século Diário, a morte de dois bovinos na fazenda do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) de Linhares apresentou uma demonstração das consequências desumanas que o corte de despesas na autarquia tem provocado. Nesta semana, dois animais que estavam na fazenda apareceram mortos, infestados por carrapatos.

 

Segundo a denúncia anônima, cerca de 30 animais foram transferidos da fazenda do Incaper de São Mateus – onde havia uma parceria com a Secretaria de Estado de Justiça (Sejus) para que os presos desenvolvessem atividaes pecuárias como processo de ressocialização – para a de Linhares por conta da seca em São Mateus e da falta de pasto para os animais se alimentarem.

Os trabalhadores da autarquia reivindicam desde 2012 a regularização dessa situação degradante, sendo esse, inclusive, um dos pontos do acordo que pôs fim à última greve da categoria, em 2016. Como nenhuma medida efetiva foi tomada, o Sindipúblicos e a Associação dos Servidores do Incaper (Assin) providenciaram uma visita de um técnico em Segurança do Trabalho, quando foi diagnosticada a situação de calamidade, mas que não foi aceita pela diretoria.

As ações judiciais foram a alternativa encontrada para exigir o cumprimento da legislação trabalhista. Além das ações diretamente impetradas pelo Sindipúblicos, há também uma ação do Ministério Público do Trabalho (MPT), feita a partir das denúncias do Sindicato.

Na ação, o Sindicato requer “a condenação do Incaper ao pagamento de adicional de insalubridade e adequação das condições de trabalho, garantindo as condições de saúde e segurança determinadas pelas Normas Regulamentadoras que são ignoradas recorrentemente pelo governo Hartung, tanto nas fazendas do Incaper, quanto em demais autarquias e órgãos”, informa matéria publicada no site do Sindipúblicos. Século Diário.

COMPARTILHE