Morre aos 95 anos a atriz Tônia Carrero

Corpo da atriz será cremado nesta segunda-feira

Por O Dia

Artistas como Nicete Bruno (à esquerda) se despedem da atriz
Artistas como Nicete Bruno (à esquerda) se despedem da atriz – Daniel Castelo Branco / Agência O Dia

Rio – O corpo da atriz Tônia Carrero foi velado desde as 14h deste domingo, 4, no saguão principal do Teatro Municipal, no Centro do Rio, onde chegou por volta das 13h20. Nesta segunda-feira, 5, será trasladado e cremado no Cemitério do Caju, na Zona Norte, quando chegam ao Brasil parentes que estavam no exterior.

A atriz, de 95 anos, morreu no final da noite de sábado, 3, na clínica São Vicente, na Gávea, na zona sul do Rio. Ela havia sido internada para se submeter a uma cirurgia simples, para o tratamento de uma úlcera, mas Tônia sofreu uma parada cardíaca e acabou não resistindo.

Artistas usaram as redes sociais para homenagear a atriz. O neto da atriz, o ator Miguel Thiré, publicou uma foto de Tônia, com a mensagem “obrigado minha avó, você foi uma mulher sensacional”, no seu perfil no instagram. Já a atriz Rosa Maria Murtinho postou uma foto dela com Tônia, ainda jovens, com o texto: “Amiga querida, minha Tônia, a lembrança de seu sorriso e carisma estará sempre presente. Agora iluminando o paraíso, lhe amo”, disse.

A atriz e cantora Zezé Motta disse que “o mundo perde”, sem Tônia “Descanse em paz minha amada amiga. Luz, e muita gratidão por sua existência. Estrela, diva, e esplêndida”, afirmou, em seu perfil no instagram.

A atriz Maitê Proença publicou uma foto sua orando dizendo que “a prece de hoje era para a atriz que hoje se junta aos deuses”. Leandra Leal disse que Tônia foi uma das mulheres mais “incrivelands ” que já passaram pelas telas e palcos do Brasil. “Seu brilho está eternizado em cada personagem, cada emoção, cada vez que você mostrou a força de ser mulher”, afirmou.

O ator Kadu Moliterno publicou uma foto sua contracenando com a atriz, com a mensagem que o Brasil “perde uma grande estrela”. “Tive a honra e o privilégio de trabalhar em “Água viva” de Gilberto Braga”, disse.

A atriz Renata Sorrah, que contracenou com Tônia em novelas da TV Globo, lembrou à Globonews a militância política da atriz. “O que eu mais me lembro é a Tônia na linha de frente nas passeatas de 68, nas escadarias do Municipal, segurando cartazes contra a ditadura, contra a censura. Ela era muito forte”, disse.

Já o diretor Gilberto Braga, que criou uma das personagens mais populares de Tônia na televisão, a Stella Simpson, em “Água viva”, disse que a atriz foi talvez a brasileira mais bonita que já houve. “Ela vai ser lembrada como uma grande atriz, que teve dificuldades em ser aceita, no início da carreia, porque existe preconceito contra agente muito bonita, mas que conseguiu se impor”, declarou.

Carreira de sucesso

Tônia Carrero nasceu Maria Antonietta Portocarrero Thedim em 23 de agosto de 1922, no Rio de Janeiro. Com longos anos de carreira, ela é considerada uma das mais consagradas atrizes do Brasil, com diversas interpretações marcantes no cinema, teatro e televisão.

Tônia era graduada em Educação Física, mas se encontrou na carreira de atriz, na qual teve formação em Paris, quando já era casada com o artista plástico Carlos Arthur Thiré, que é pai do ator e diretor Cecil Thiré. Tônia é matriarca de uma família que tem quatro gerações de artistas: além do filho, os netos Miguel Thiré, Luísa Thiré e Carlos Thiré também são atores.

Seu maior palco foi o teatro, onde fez mais de 50 peças. Sua estreia aconteceu em “Um Deus Dormiu Lá em Casa”, no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, contracenando com quem se tornaria um de seus grandes parceiros de interpretação, Paulo Autran. Os dois, junto com o italiano Adolfo Celi, fundaram a Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA). Nos anos 1950 e 1960 eles revolucionaram o teatro brasileiro, construindo um repertório com peças de autores clássicos, como Shakespeare e Carlo Goldoni.

No cinema, onde atuou pelo menos 19 vezes, ela fez a sua primeira interpretação, quando voltou da França, aos 25 anos. No filme “Querida Suzana”, de Alberto Pieralise, contracenou com Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay. Por conta de sua grande beleza, chamou atenção de muitos diretores e, a convite do empresário Franco Zampari, integrou a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, sendo um dos rostos mais conhecidos. A atriz foi protagonista de “Apassionata” (1952), de Fernando de Barros; “Tico-tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; e “É Proibido Beijar” (1954), de Ugo Lombardi.

Em 1967, dá uma nova guinada na carreira e mergulha no universo de Plínio Marcos em “A Navalha na Carne”. Ao lado de Emiliano Queiroz e Nelson Xavier, com a direção de Fauzi Arap, vive a prostituta Neuza Suely. Em plena ditadura militar, a montagem incomodou, mas tornou-se um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada, além de divisor de águas em sua carreira.

A atriz também teve muito sucesso na TV, onde atuou em 15 novelas. A personagem mais marcante foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson em Água Viva, de 1980, do autor Gilberto Braga. Ela também atuou em Louco Amor (1983), Sassaricano (1987), Esplendor (2000), entre outras. Sua última novela foi Senhora do Destino, em 2004.

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