Beija-Flor encerra desfile com críticas à corrupção e à desigualdade

Escola levantou o público, que invadiu a avenida e cantou junto com os componentes

A Beija-Flor de Nilópolis encerrou o segundo dia de desfiles do Grupo Especial, na Sapucaí, com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, do carnavalesco Cid Carvalho.

A escola aproveitou os 200 anos do romance “Frankenstein”, de Mary Shelley, para fazer um paralelo com as mazelas brasileiras.

O enredo fez uma extensa crítica à sociedade brasileira, incluindo o campo político e a intolerância religiosa.Alegorias falando sobre o excesso de impostos, desigualdade social, criminalidade e pobreza foram destaque. Um carro alegórico simbolizou ainda a corrupção na Petrobras, na classe política e entre empresários.

A violência também foi representada, com cenas de assalto, vítimas de balas perdidas e policiais feridos.

Havia ainda uma mesa representando um grande banquete, tendo homens com guardanapos na cabeça em volta, fazendo uma alusão às famosas fotos da “farra dos guardanapos”, na qual o ex-governador Sérgio Cabral reuniu empresários e secretários num jantar de luxo, em Paris.

A escola encerrou o desfile com uma mensagem de paz e de otimismo por um futuro melhor. No fim, o público invadiu à avenida e acompanhou a escola, cantando o samba-enredo e tomando toda a Sapucaí.

Leia o samba:

Veja o samba da União da Ilha em 2018

ou eu…

Espelho da lendária criatura

Um mostro…

Carente de amor e de ternura

O alvo na mira do desprezo e da segregação

Do pai que renegou a criação

Refém da intolerância dessa gente

Retalhos do meu próprio criador

Julgado pela força da ambição

Sigo carregando a minha cruz

A procura de uma luz, a salvação!

Estenda a mão meu senhor

Pois não entendo tua fé

Se ofereces com amor

Me alimento de axé

Me chamas tanto de irmão

E me abandonas ao léu

Troca um pedaço de pão

Por um pedaço de céu

Ganância veste terno e gravata

Onde a esperança sucumbiu

Vejo a liberdade aprisionada

Teu livro eu não sei ler, Brasil!

Mas o samba faz essa dor dentro do peito ir embora

Feito um arrastão de alegria e emoção o pranto rola

Meu canto é resistência

No ecoar de um tambor

Vêm ver brilhar

Mais um menino que você abandonou

Oh pátria amada, por onde andarás?

Seus filhos já não aguentam mais!

Você que não soube cuidar

Você que negou o amor

Vem aprender na Beija-Flor

“Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?

 

Resultado de imagem para FOTOS DO DESFILE DA BEIJA FLOR 2018

 

Ala de Manifestoches
Os desfiles das escolas Paraíso do Tuiuti e Beija-Flor de Nilópolis na Sapucaí chamaram atenção pela dimensão política dos sambas-enredo e por referências nada sutis ao atual estado do País.
Em sua apresentação na madrugada da segunda 12, a primeira retratou manifestantes de verde e amarelo em trajes de pato e manipulados por um vampiro presidente inspirado em Michel Temer. Enalteceu ainda os “guerreiros da CLT”, representados nas fantasias como uma espécie de deus Shiva dos trabalhadores, munido de martelo, foice e outros instrumentos em seus quatro braços. Os integrantes da ala carregavam ainda uma enorme carteira de trabalho avariada, uma crítica à reforma trabalhista aprovada no ano passado.
O PESO DOS IMPOSTOS
Com passagem repleta de críticas sociais, a Beija-Flor encerrou os desfiles de 2018 do Grupo Especial do Rio de Janeiro. Sexta e última escola a passar pela Avenida Marquês de Sapucaí, a agremiação levou o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”. Diferente dos últimos anos, a Beija-Flor não veio com a opulência — que virou sua marca principal — para se adequar ao enredo peculiar. Um dos principais destaques positivos da agremiação foram as mensagens impactantes nos carros alegóricos. As alas teatralizadas também se destacaram.
Prédio da PETROBRAS, invadivo se transforma em favela
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FONTE: EL PAÍS
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